sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Arte Cristã Primitiva


“Com este símbolo vencerás”

      Conhecemos como arte cristã primitiva, a arte que surge nas catacumbas, uma arte simples e simbólica, executada por pessoas que não eram grandes artistas, e sim pessoas que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristos, aceitavam sua condição de profeta e acreditavam nos seus princípios , os cristãos.
       Quando Jesus Cristo morreu, seus discípulos passaram a divulgar os seus ensinamentos. Inicialmente, essa divulgação restringiu-se à Judéia, província romana onde Jesus viveu e morreu, mas depois, a comunidade cristã começou a dispersar-se por várias regiões do Império Romano.

Paulo pregando em Atenas
(uma pintura na parede do auditório Weise-Gymnasium, em Zittau, na Saxônia)

       No ano de 64, no governo do Imperador Nero, deu-se a primeira grande perseguição aos cristãos. Ele ateou fogo em Roma para culpar os cristãos.

Nero incendeia Roma

          Num espaço de 249 anos, os cristãos foram perseguidos mais de nove vezes; a última e a mais violenta dessas perseguições ocorreu entre 303 e 305, sob o governo de Diocleciano.

AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES DA ARTE CRISTÃ

      Devido às grandes perseguições que sofriam, os primeiros cristãos de Roma enterravam seus mortos em catacumbas, galerias subterrâneas que serviam de cemitério. Dentro dessas galerias, o espaço destinado a receber o corpo das pessoas era pequeno. Os mártires, porém, eram sepultados em locais maiores, que passaram a receber em seu teto e em suas paredes laterais as primeiras manifestações da pintura cristã.
         As primeiras pinturas murais em catacumbas limitavam-se a pequenos símbolos, como a cruz – símbolo do sacrifício de Cristo; a palma – símbolo do martírio; a âncora – símbolo da salvação; e o peixe – o símbolo preferido dos artistas cristãos – é utilizado como símbolo de Jesus Cristo, representando não somente a Última Ceia, mas também a água utilizada pelo batismo cristão. Além disso, as letras da palavra “peixe”, em grego (ICHTYS), coincidiam com a letra inicial de cada uma das palavras da expressão Iesous Christos, Theou Yios, Soter, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.

Peixe nas catacumbas

Pintura mural das catacumbas de São Calixto,
em Roma (século II)

               
          Não há arte cristã sobrevivente do século I. Antes do início do século II os cristão, sendo um grupo minoritário perseguido, pode ter sido coagido por sua posição a não produzir obras de arte duradouras. Uma vez que nesse período o cristianismo era uma religião exclusiva das classes mais baixas, a falta de arte sobrevivente pode refletir uma falta de recurso para patrociná-la.
Mais tarde, essas pinturas foram evoluindo e começaram a aparecer cenas do Antigo e do Novo Testamento, como a representação do profeta Jonas, cujos três dias no ventre da baleia foram prefigurados como o intervalo entre a morte de Cristo e sua Ressurreição, Daniel na cova dos leões ou a Arca de Noé. Mas o tema predileto dos artistas cristãos era a figura de Jesus Cristo, o Redentor, representado como o Bom Pastor.

"Bom Pastor". Pintura mural das catacumbas de Priscilla,
em Roma (século II)

             A cruz que simboliza a crucificação de Jesus, não foi representada artisticamente por muitos séculos, possivelmente porque era uma punição reservada aos criminosos comuns. É possível também que ela fosse evitada por ser um símbolo, especificamente, cristão, indisfarçável, pois como atestam diversas fontes literárias, o sinal da cruz já era utilizado desde os primeiros anos.
             A pomba é um símbolo de paz e pureza e pode ser encontrada nas obras artísticas com uma auréola ou emanando uma luz celestial, representa o Espírito Santo.
             O cristograma (XP), aparentemente utilizado pela primeira vez por Constantino I, é formado pelas duas primeiras letras da palavra Christos em grego (Chi e Rho). Ele só surgiu após o cristianismo ter sido adotado no Império Romano.

Cristograma – Cruz de Constantino
                                                                                                            
                Ainda hoje podemos visitar as catacumbas de Santa Priscila e Santa Damitila, nos arredores de Roma.

Catacumba de Santa Priscila

“Maria amamentando o Menino Jesus”
(Imagem do século II, catacumba de Santa Priscila, Roma)


Catacumba de Santa Domitilia

Catacumba de Santa Domitilia


A ARTE DO CRISTIANISMO OFICIAL

Aos poucos as perseguições aos cristãos foram diminuindo e, em 313, o Imperador Constantino converteu-se à religião cristã, permitindo assim que o cristianismo fosse livremente professado.
Uma vez reconhecida a religião de Cristo pelo Imperador Constantino, que deu liberdade de culto a seus seguidores, a arte cristã também se libertou tomando novos impulsos, principalmente nas cidades.
        Em 391, o Imperador Teodósio oficializou o cristianismo como a religião do império.
       Começaram a surgir então os primeiros templos cristãos. Externamente, esses templos mantiveram as características da construção romana destinada à administração da justiça e chegaram mesmo a conservar o seu nome – basílica. Já internamente, como eram muito grande o número de pessoas convertidas à nova religião, os construtores procuraram criar amplos espaços e ornamentar as paredes com pinturas e mosaicos que ensinavam os mistérios da fé aos novos cristãos e contribuíam para o aprimoramento de sua espiritualidade. Além disso, o espaço interno foi organizado de acordo com as exigências do culto. Como exemplo temos a

Basílica de Santa Sabina

  •  Construída em Roma entre os anos de 422 e 432;
  • Nave central ampla (onde ficam os fiéis);
  • Laterais: colunas com capitel coríntio, combinado com belos arcos romanos;
  • A nave central termina num arco, chamado arco triunfal , e é isolada do altar-mor por uma abside, recito semicircular situado na extremidade do templo.
  • Arco triunfal e o teto da abside – recobertos com pinturas retratando personagens e cenas da história cristã.


Basílica de Santa Sabina - Roma

Interior da Basílica de Santa Sabina - Roma

Pintura no teto - Basílica de Santa Sabina

Interior da Basílica de Santa Sabina - Roma


                Toda essa arte cristã primitiva, primeiramente tosca e simples nas catacumbas e depois mais rica e amadurecida nas primeiras basílicas, prenuncia as mudanças que marcarão uma nova época na história da humanidade.


Fonte: 
Proença, Graça. História da Arte. São Paulo. Ed. Ática. 16ª edição. 11ª impressão, 2005
http://www.brailescola.com/artes/arte-crista-primitiva-1.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_paleocrist%C3%A3
http://www.historiadaarte.com.br/linha/paleocrista.html






Um comentário: